Jogando

Marco Polo | Diplomacia, comércio e fortuna no Oriente

Ilustração de Marco Polo usando roupas ornamentadas em vermelho, verde e dourado, com um chapéu vermelho. Ao fundo aparecem cenas estilizadas com pessoas, cavalos e construções que remetem a paisagens históricas da Rota da Seda. O nome ‘MARCO POLO’ aparece em letras grandes no centro da imagem.

Eu ganhei o meu primeiro computador no início dos anos 2000. Foi quando deixei meu PlayStation de lado e comecei a me afogar nos jogos de PC. No início, me encantei com os emuladores. Era mágico poder desfrutar dos jogos de consoles que nunca tive, como Master System e Mega Drive. Mas esse período logo ficou para trás, quando comecei a conhecer os jogos feitos e pensados para os computadores. Foi quando conheci algumas pérolas que passaram a ocupar todo o meu tempo livre. The Sims, SimCity e Age of Empires reinaram soberanos em minha máquina por muito tempo.

Claro, sempre havia um espacinho em meu HD de 10GB para experimentar alguns jogos desconhecidos que eu encontrava em fóruns obscuros da época. Foi nesses lugares pouco iluminados da internet que conheci jogos como Fallout, Outlive, Carmageddon, Grim Fandango, Civilization e tantos outros. E entre esses muitos outros, estava Marco Polo, que joguei tão pouco que praticamente tinha esquecido de sua existência.

Foi, então, com surpresa, que recentemente o vi sendo vendido no Steam. Ver as imagens de divulgação do jogo me levaram a uma profunda espiral de nostalgia. Claro, o comprei imediatamente. Agora, depois de tanto tempo, posso dizer que realmente joguei Marco Polo.

Mestres do comércio

O Marco Polo histórico, que nomeia o jogo, foi um grande mercador da República de Veneza no século XIII. Viajou por terra e mar pela Ásia, fazendo prósperos negócios e estabelecendo laços comerciais com vários reinos e governos. Teve grande destaque em suas empreitadas pela China, país muito abordado em seus relatos e memórias que deram origem às diversas versões do livro As Viagens de Marco Polo.

No jogo que carrega seu nome, não assumimos o papel do famoso explorador. Devemos, no entanto, repetir os seus feitos comerciais e diplomáticos para alcançarmos fama e riqueza. Porém, imagine as inúmeras dificuldades enfrentadas por um comerciante fazendo seu trabalho no interior do continente asiático 800 anos atrás. Imaginou? Pois então, o jogo emula um pouco dessas dificuldades, mas com certeza não foi algo intencional.

Mapa estilizado da Ásia em pixel‑art, com cidades representadas por pequenos agrupamentos arquitetônicos. À direita, uma área destacada mostra a cidade chamada ‘Quinsai’. Na parte inferior aparece o texto ‘Choose a starting town’.

Comércio pela Ásia

Em um mapa simplificado que emula a região que vai do Oriente Médio até a China, o jogador inicia sua jornada rumo a prosperidade (e posteridade) com alguns camelos e um pequeno capital inicial. Não há introduções ou tutoriais, nem mesmo uma rota definida a ser seguida. Você é jogado no mundo e deve aprender tudo na prática, embora o cerne do jogo não seja de difícil entendimento.

Navegando pelo mapa, você escolhe uma cidade para iniciar a jornada. Cada diferente local possui seus comerciantes e mercadorias típicas, assim como alguns aperfeiçoamentos que podem ser comprados para sua caravana. Novos camelos permitem que mais mercadorias e pessoas sejam transportadas. Seguranças podem ser contratados para viagens mais longas. Os seus ajudantes mantêm a organização. Cada parada é única, mas no início o seu orçamento será bem limitado.

Interface de jogo com fundo em pergaminho e seis ícones ilustrados organizados em duas linhas. No topo aparece a palavra ‘purchase’.

Tesouros e especiarias

O jogo não oferece um sistema em que você possa verificar as particularidades de cada local. Dessa forma, o jogador tem que manter na memória em que cidades se encontram um determinado produto e em quais esses produtos podem ser revendidos com lucro. Dominar completamente o mapa pode requerer algum tempo de jogatina e muitas anotações em um bloquinho de papel. Cabe ressaltar também que não se trata apenas de levar produtos entre dois pontos. Eventos aleatórios podem ocorrer durante as viagens. Ladrões do deserto podem saquear suas mercadorias e guerras entre reinos podem impedir a sua entrada em alguma cidade.

Rotas mais longas proporcionam lucros maiores, mas também são mais perigosas. Saber a origem da produção e a demanda de determinados produtos é crucial para o crescimento de sua fama e riqueza. Tudo deve ser bem analisado quando a meta é se tornar um novo Marco Polo, mas um pouquinho de sorte às vezes ajuda. Torça para ter algumas viagens sem muitos percalços e veja a fortuna abarrotar os seus bolsos.

Um jogo charmoso

Marco Polo foi lançado em 1995 e tem o visual bem característico dos jogos da época. Os FMVs que permeiam a jogatina atraem pela representação estética apurada do que o senso comum espera da época retratada. Os mapas são bonitos, assim como as cidades, que se comportam como hubs de negociações e comércio.

Três pessoas vestidas com roupas de estilo medieval — túnicas, cintos e capuzes — estão em pé no convés de um navio de madeira. Atrás delas aparecem cordas, mastros e parte da vela, com o mar ao fundo.

FMV charmoso

Identificar, porém, em que locais estão os rudimentares menus e onde se deve clicar para realizar determinadas ações não é intuitivo. Como dito no início, o jogo apenas te lança no emaranhado de mapas e menus que formam o mundo e você que se vire. No relançamento para o Steam, nenhuma vírgula do jogo foi mudada. Em minha jogatina, não consegui alterar a proporção da tela ou rodar o jogo em modo janela, o que dificultou a leitura de alguns dos textos.

Jogar Marco Polo hoje vai requerer um pouco de paciência. É um bom retrato dos jogos de sua época, mas creio ser recomendado apenas para o nicho nostálgico por PC dos anos 90.


Marco Polo
Infogrames, Ziggurat

↑ A estética dos jogos de PC dos anos 90 é muito nostálgica.
↑ Aprender o mapa, lidar com imprevistos e montar rotas lucrativas cria uma sensação genuína de progressão e descoberta.
↓ Interface pouco intuitiva e nada acolhedora, o que dificulta a experiência moderna.

→ Para quem viveu os anos 90 no computador, Marco Polo oferece uma agradável viagem nostálgica. Para os novos jogadores, seu charme pode ficar ofuscado pela falta de acessibilidade. Ainda assim, há algo especial em desvendar suas rotas e perigos.

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